Não são todos os dias que nos sentimos magoados, nem todos nos magoam, mas hás vezes acontece. Foi num desses dias que me deu para a reflexão e cá vai tudo o que a alma me ditou sobre a mágoa.
A mágoa surge, quando aqueles que um dia nos levaram no seu cavalo de vento, nos lançam do espaço, e nós caímos sem saber o rumo, perdidos nessa mescla de sentimentos onde os caminhos se cruzam e a curva da estrada não deixa ver além.
A mágoa surge, quando aqueles para quem corremos a vida inteira confiantes numa comunhão reciproca nos fazem tomar consciência que estivemos errados, que cegos na nossa vontade de querer dar e mostrar desafiamos, imposémos, exibimos e sem querer os fizemos passar para segundo plano tornando mais visível a diferença.
A mágoa surge quando nos sentimos incompreendidos no mais profundo do nosso amago e incapazes de comunicar com aqueles que mais amamos.
A mágoa surge quando tomamos consciência de que fazendo parte dum todo somos apenas barcos à deriva num mar imenso sem porto à vista.
A mágoa surge quando tudo o que fizemos que que pensamos fazer por bem, os outros nos mostram com as suas atitudes que estivemos errados desde o primeiro momento.
Mas a mágoa que se possa refectir nos outros, não é mais, do que a mágoa do próprio confrontado com as suas ilusões, com aquilo em que acreditou sem ser credível, que sonhou e não passou dum sonho.
Confrontado com o mais profundo de si próprio, que não soube preservar, confrontado com as pérolas mais preciosas que um dia deu de si, onde os outros apenas viram artefactos sem valor.
É dessa mágoa que um dia o próprio se libertará e desapegado, renovado, poderá sim no seu próprio cavalo de vento, subir no infinito deixando atrás de si uma chuva de estrelas, para todos aqueles que um dia acreditou AMAR.
P.S. para todos aqueles que um dia por qualquer motivo se sentiram magoados.
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